R.I P.

Não somos eternos. O mundo físico se move e se não aprendermos a nos mover para acompanhá-lo, nos perderemos.

Tantas vidas se perderam precocemente e outras longas e incrivelmente produtivas, brilhantes e maravilhosas, nos deixaram um legado de talento e fé, neste mesmo mundo, onde estamos de passagem. E isso ficou bem claro, até por quem só crê em si mesmo.

Tempo de acordar da infância do espírito. De nos colocarmos de forma mais atuante, nos ajudando uns a outros, com nossas percepções e sentimentos, que nos ligam ao todo,  nos completam, como uma grande corrente quadrimensional. Quem só acredita no mundo tridimensional, começa a se surpreender com algo mais, que embora etérico, se materializa no coletivo.

Um pouco de poesia:

“Para que servem as mãos?

As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir, reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever……
As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau, salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário;
Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não matou Porcena;
foi com as mãos que Jesus amparou Madalena;
com as mãos David agitou a funda que matou Golias;
as mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores vencidos na arena;
Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência;
os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte!
Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os outros Judas não encontram.
A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda;
o operário construir e o burguês destruir;
o bom amparar e o justo punir;
o amante acariciar e o ladrão roubar;
o honesto trabalhar e o viciado jogar.
Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba!
Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia!
As mãos fazem os salva-vidas e os canhões;
os remédios e os venenos;
os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva.
Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor.
Os olhos dos cegos são as mãos.
As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes;
no volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.
O autor do “Homo Rebus” lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida;
a primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem.
Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.
A mão aberta, acariciando, mostra a bondade;
fechada e levantada mostra a força e o poder;
empunha a espada a pena e a cruz!
Modela os mármores e os bronzes;

dá cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza.
Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza;
doce e piedosa nos afectos medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos.
O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade.
O noivo para casar-se pede a mão de sua amada;
Jesus abençoava com as mãos;
as mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes.
Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo agitando o lenço no ar.
Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.
E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem.
Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.
E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida.

         
           E as mãos dos amigos nos conduzem…
E as mãos dos coveiros nos enterram!

_Este belíssimo poema que hoje vos trazemos, é da autoria do jornalista e poeta brasileiro Giuseppe Artidoro Ghiaroni. Saiba quem foi, clicando .aqui

É uma explanação  bastante detalhada sobre a pergunta que aparece no início:_Para que servem as mãos?

Quem sabe?  Talvez nós, também, nunca  tivéssemos  parado um poucochinho para, olhando as nossas mãos… bonitas… feias… nos interrogarmos  sobre a importância que elas tiveram no decorrer da vida  que vivemos…”

M.A.

Marejei os olhos lembrando o episódio do programa Jô Soares, assistindo Ana Maria Braga agora cedo. Não é um hábito, mas na sequência do jornal matinal, ela fazia homenagem a Bibi, resolvi assistir. Ela reprisou um programa, onde ela declamava o mesmo poema. Também as mãos de Niemeyer e tantos outras vidas centenárias e cheias de vigor nos deixaram lições de que nada vale uma longa vida, sem obras. Boechat teve uma boa vida, com bom humor, mesmo na dor. Tantos outros se foram nos últimos meses.

Devemos amar mais. Expor nossos melhores sentimentos e sentidos, para balancear o espírito de tragédia que nos abate. Há beleza e ela é beneficamente  transformadora. Devemos expô-la!

A lição: devemos utilizar nosso tempo, para melhorarmos a visão de mundo uns dos outros. Seja uma foto, arte visual, HQ,  poesia, livro, palavra amiga, música, animações, filmes e vídeos, descobertas científicas. Aos que são próximos, de coração à coração. Um abraço, um tocar de mãos.

😊

 

 

 

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Sobre Jarcy Tania

Professora aposentada, arte-educadora, artista plástica brasileira.
Esse post foi publicado em Arte, cultura, educação, teatro. Bookmark o link permanente.

2 respostas para R.I P.

  1. Guacyra disse:

    De fato,devemos viver intensamente nossas vidas, sempre priorizando nosso bem estar e nossos sonhos!

    • Jarcy Tania disse:

      Verdade Gua.
      O que temos que fazer neste mundo, está a frente de nosso nariz, onde estamos ou somos chamados pelo coração. Não é preciso procurar muito, basta estarmos atentos.
      🤗

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