Um pouco de luz nesta vida

 

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Anteontem, aos noventa e três anos, os olhos da vovó se fecharam para sempre neste mundo, para renascer  na luz do Cristo, que acredito, todos nós sejamos parte. Fiquei imaginando o vovô esperando por ela, lembrei do meu pai, dos meus outros avós, dos vários tios e amigos que já se foram, dos animais de estimação e pensei, quando estivermos lá do outro lado e ver de verdade o que temos só uma noção ou impressão, ato de fé e fé é acreditar sem ver, quem sabe tudo fará sentido.
Meus avós foram cristãos evangélicos da Cristã do Brasil desde que as primeiras igrejas chegaram aqui no estado de São Paulo, viveram bastante para testemunhar a sua fé, exercitar o espirito, disciplina-lo, mudaram o que foi possível nas próprias vidas e na de todos nós’ seus descendentes.

Estes 15 dias em que esteve internada, os últimos anos em que não podia mais andar foram sofridos e sei que viver assim foi péssimo, nós nos ressentimos muito de poder fazer tão pouco para amenizar seu sofrimento, mas ela sorriu pra nós no domingo passado, quando fomos ve-la no hospital e depois mudando a expressão disse o quanto estava lhe doendo o corpo.

Todos os meus parentes me deixaram uma mensagem de vida e não só os seus genes, mas também de vida, de oficio, de tradição, sabedoria, amor, crenças, são os meus tesouros. Há quem deseje herdar ouro, prata, diamantes, da vovó herdei o carinho, a delicadeza, um certo tom analítico, paciente, obstinado de ser, algumas receitas, bordados, fitinhas, laçarotes, plantas viçosas, um baú de sonhos, esperança capaz de superar a dor, histórias, risos, encantamento.

No oficio do pastor em sua despedida a palavra do Senhor foi exatamente esta, que erramos, somos pecadores mas em Deus vencemos, devemos ter humildade para reconhecer as nossas fraquezas, por que somos fracos, devemos nos armar na Fé, para que erremos menos, sejamos melhores para que as janelas da vida se abram e suas luzes nos banhem a existência. Ao invés de criticar os erros, a maneira de viver alheia, bom mesmo é aprender com quem tem uma vida que não podemos, não nos agrada observar, não queremos participar, aprenderemos muito.

Ela nos mimou a vida inteira, depois de velhinha, nós é que levavamos mimos. Ontem ao levar flores e não  ve-la sorrir, inerte, num semblante que nem era mais o dela, esta doendo muito. Sei que a dor vai passar e depois é só esperar, quem sabe farei por merecer e a encontrarei do outro lado.

Até a vista vovó querida.

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Sobre Jarcy Tania

Professora, arte-educadora, artista plástica brasileira.
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