Como um mutante, no fundo sempre sózinha.

Mutante

Rita Lee

Composição: Rita Lee – Roberto de Carvalho

Juro que não vai doer
Se um dia eu roubar
O seu anel de brilhantes
Afinal de contas dei meu coração
E você pôs na estante
Como um troféu
No meio da bugiganga
Você me deixou de tanga
Ai de mim que sou romântica!

Kiss baby, kiss me baby, kiss me
Pena que você não me kiss
Não me suicidei por um triz
Ai de mim que sou assim!

Quando eu me sinto um pouco rejeitada
Me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma de toda mágoa
Depois eu passo pra outra
Como mutante
No fundo sempre sozinho
Seguindo o meu caminho
Ai de mim que sou romântica!

Kiss baby, kiss me baby, kiss me
Pena que você não me kiss
Não me suicidei por um triz
Ai de mim que sou assim!

Fico sempre bronqueada, quando alguém diz que fico sozinha por que quero. Por que na verdade, muitas vezes estive só, mas acompanhada. Explico. Estive em companhia de quem nada acrescentava, eu nem queria estar junto, só não queria estar sozinha. Até o dia em que caiu um paralelepípedo na cabeça, pra que estar assim … adeus!
Tem quem fique especulando a nossa vida, pelas beiradas que deixamos escapulir, nos assuntos cotidianos. Não sabem nada de fato. Das nossas dores, do nosso silencio. Suas deduções partilhadas, por que falam e falam o que imaginam, são piores do que os “entrevistadores” que perguntam e perguntam sobre tudo “só pra saber”.
Os anos 80 foram leves e cheios de carinho e amor. Curti meus 20 anos 🙂
Os anos 90, anos de reflexão mudanças e solidão voluntária, passei por tantas coisas na vida. Mudança de cidade, empregos em lugares tão diferentes aos que estava habituada, gente tão diferente das que conhecia.
Em 1998 fui fazer um curso, licenciatura em artes, resolvi encarar uma carreira que me desse mais prazer. Conheci gente nova aos borbotões, fiz muitos amigos, alguns o são até hoje, mas nada de amar de novo.
Nos anos 2000 só amei errado. Homens que queriam moças diferentes do que sou e nunca vou ser, mesmo porque, a minha mocidade está no passado. Houve também aqueles que queriam só me conhecer e tchau. Agora é assim, né?! C’est lá vie!  Enfim, avante, a fila anda! Mas a minha anda bem devagarinho, gosto de conhecer bem as pessoas antes, já que tenho alguma juventude.
E eu que pensava que ia casar logo cedo, ter filhos, netos, estou 25 anos atrasada  …

beijos

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Sobre Jarcy Tania

Professora, arte-educadora, artista plástica brasileira.
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2 respostas para Como um mutante, no fundo sempre sózinha.

  1. Jarcy Tania disse:

    O tempo passou e continuo sem par , nunca sozinha. Não planejei, aconteceu. Não sou de ficar, namorei, quase aceitei pedido de noivado, era jovem, não tinha certeza se seria o melhor naquele momento. O amor continua. As paixões, que foram bem poucas, passaram. Tenho amigos e amizade é amor para sempre. A vida segue.
    🙄

    • Jarcy Tania disse:

      Quando disse que nunca estou sozinha, significa que não sinto solidão e não preencho meus vazios com pessoas. Não me sinto só, tenho minha mente criativa a ocupar o tempo livre com arte e a espiritualidade permite uma mente sadia. Tenho a 11 anos minha filha de quatro patas, para me dar trabalho, desafiar a paciência, o afeto, fiel e carinhosa.
      Me sinto bem, creio ser o melhor caminho. É o que tenho, em quanto Deus assim permitir. Confio e espero Nele.

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