O preconceito velado

Poucas vezes fui vítima de preconceito explicito, muitas do preconceito velado. Seja pela condição social, seja por diferenças étnicas. Assim como eu, todos nós, herdeiros mestiços de afrodescendentes, passamos as mesmas mazelas e a palavra: "Mas você não é negra!". Como que a justificar o "não preconceito". Que diferença isso faz na minha vida?! Olha que palavra existe para meu biótipo: Cafuza! … hehehe. Se não houvessem antepassados negros na minha familia, seria "mameluca" .. hehehehe. Que coisa! 

Terminei na semana passada um dos blocos de meu curso de especialização em cultura afro brasileira. Muito se discute as questões de preconceito no Brasil. Hoje no curso falou-se exatamente do preconceito velado, escondido, fechado a chave, remoendo o inconsciente, morto de medo de ser tachado de preconceituoso. Todos nós o somos, em alguma questão humana, não só quanto a "biótipos" afro, diga-se de passagem e sem citar as "brincadeiras e piadas" sobre nordestinos, loiras, portugueses, japoneses e tantas outras ditas "diferenças" humanas. Falou-se também, entre tantos outros, sobre a questão do índio e os prejuízos de sua cultura, causada pela nossa dita educação ocidentalizada.

Como são poucos os negros com referencia de poder e beleza (Lenni Kravotiz está fazendo história 🙂 Os adolescentes não tem muito o que imitar e adolescente adora ter o que seguir, não?! A maioria das crianças se sente ofendida ao ser chamada de negra, como se a realidade fosse alterada, com a simples exclusão desta palavra. No curso falou-se: Tem-se vergonha de dizer que se é afro-brasileiro, aceita-se dizer que se tem antepassados ameríndios, porque índio não foi escravo, não se deixou escravizar. Mas quem disse que o negro se deixou ser escravo?! Falta contar pra esta galerinha a grande resistência dos africanos, no Brasil e no mundo, para se libertar. A escravidão não foi tranqüila e o negro não era obediente, era uma guerra, muito mais violenta do que a que vemos na tevê, confortavelmente sentados em nossos lares hi-tec.

Para não me alongar  deixo aqui minha profunda admiração pelo professor Valter Silvério   ósculos para ele  . Deixei no meu fotoblog um desenho a caneta esferográfica, junto a um dos mais lindos poemas sobre a escravidão.

 

Beijos para todos

 

Sobre Jarcy Tania

Professora aposentada, arte-educadora, artista plástica brasileira.
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Uma resposta para O preconceito velado

  1. nikkei disse:

    "Triste era em que vivemos, na qual é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito." (Albert Einstein)Sou nipo-brasileiro. E também recebo um carga de preconceito. Muitas vezes, em locais "esclarecidos". Uma vez, num desses locais esclarecidos, escreveram num documento: "Capriche, japa!" Ou quando você vai procurar um emprego, mesmo tendo qualificação técnica e acadêmica adequada, chega o cara e lhe diz: "Não lhe vou dar emprego aqui. Só lhe chamei aqui porque queria saber como é a sua cara." Essas coisas ocorrem com muito mais freqüência do que gostaríamos de admitir. Isso tudo deve ser quebrado, pois somos todos iguais em essência e dignidade.

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